Situação política, económica e social
Enquanto
nos Estados Unidos da América triunfavam os princípios das Luzes de liberdade,
igualdade, soberania popular e separação de poderes, em França, tal como em
outros países europeus, continuavam em vigor as instituições do Antigo Regime:
· a nível político, apesar das ideias das
Luzes que criticavam o Absolutismo, os poderes continuavam a concentrar-se no
rei;
· a nível económico e social, embora as
fortunas se fizessem no grande comércio, as grandes propriedades continuavam na
posse dos nobres e do clero, mantendo-se a
antiga divisão da sociedade em Ordens. A burguesia, que ocupava o
estrato superior o terceiro estado, tinha poder económico e elevado grau de
cultura, mas poucos dos seus elementos desempenhavam altos cargos na política,
na administração do Estado, no exército ou na Igreja. Desejava, por isso, ter
um papel mais activo a nível político para defender os seus interesses; também
os pequenos artesãos e assalariados lutavam contra o desemprego e os baixos
salários, enquanto os camponeses, que constituíam a maioria da população,
continuavam sujeitos às obrigações feudais.
Distribuição da propriedade pelos
grupos sociais
A partir de 1770, a França entrou numa grave crise:
· maus anos agrícolas provocaram o aumento do preço dos cereais, a fome e, por consequência,
protestos e tumultos;
· a concorrência dos produtos manufacturados ingleses, de melhor
qualidade que os dos Franceses, conduziu ao encerramento de muitas
manufacturas, o que fez aumentar o desemprego e baixar os salários;
· os elevados gastos da corte em bens de luxo e a concessão de
tenças (pensões) aos nobres cortesãos, bem como as dívidas que a França
contraíra para fazer face à Guerra dos Sete Anos (1756-1763) e para apoiar a Guerra
da Independência dos Estados Unidos contribuíram para que as despesas do Estado
fossem superiores às receitas.
Tudo isto gerou um
grande descontentamento social, sobretudo nas classes populares obrigadas a
sustentar as finanças públicas. Para aumentar as receitas, os ministros de Luís
XVI (Doc. 7) propuseram reformas fiscais que incluíam um novo imposto,
abrangendo as três ordens sociais. Estas medidas encontraram a oposição do
clero e da nobreza. Perante a situação difícil que se vivia em França, o rei
convocou os Estados Gerais, o que não acontecia desde 1614.
Os Estados Gerais reunidos, em
Versalhes, em 1789.


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